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OBSERVAÇÃO DE AVES NA RPPN – RESERVA VOLTA VELHA

Conhecendo melhor a Volta Velha e sua importância para as aves

 

Gavião tesoura
(Foto: Beto Vieira)

Popular entre observadores de aves em todo o mundo, a RPPN Reserva Volta Velha vem sendo uma dos principais locais para a pratica do bird watching no sul do Brasil. Localizada em Itapoá, litoral norte do Estado de Santa Catarina, a Reserva Volta Velha possui 1100 ha. aproximadamente e está inserida em uma extensa área remanescente da Floresta Atlântica, fazendo parte hoje de um dos últimos grandes remanescentes desse bioma, sem duvida um dos mais ameaçados em todo o país.

Do ponto de vista ornitológico, este pequeno pedaço do litoral sul é apontado como um importante centro de evolução para algumas espécies de aves que se fizeram endêmicas restritamente. Tal fato releva a importância da conservação de grandes áreas ainda cobertas pela Floresta Atlântica na região, cada vez mais visadas pelas comunidades científicas como prioritárias para a preservação através do estabelecimento de novas áreas protegidas, tanto particulares como públicas.

Segundo estudos realizados com a avifauna na Reserva Volta Velha e outras localidades no entorno, já foram identificadas aproximadamente 300 espécies de aves, sendo a maioria delas residentes nas florestas. A presença de aves migratórias e ocasionais enriquece o número de espécies no local, principalmente durante a primavera e o verão. A vegetação presente, também conhecida como Floresta Atlântica de Terras Baixas, mostra uma expressiva diversidade de ambientes, variando entre restingas litorâneas, florestas altas, paludosas e ripárias.

Exibindo sempre uma incomparável riqueza botânica, a floresta local também conta com a enorme variedade de plantas epífitas, onde as bromélias muitas vezes dominam grande parte do cenário proporcionando condições ideais para muitas espécies.

As trilhas para observação

A Volta Velha oferece três principais trilhas para caminhadas e observação das aves:

Trilha Casa de vidro – caminhada em terreno plano no interior de floresta primária, repleta de grandes árvores centenárias. A observação das aves pela manhã bem cedo é recomendada, pois a trilha cruza mata fechada em diferentes ambientes, entre estes, pequenos córregos e áreas paludosas. Grandes bandos mistos de aves são freqüentes pela manhã.

Trilha do Sambaqui – Talvez a melhor trilha para a observação de aves na reserva. Ela oferece caminhada longa em terreno plano seguindo paralelamente grande parte do caminho o rio Saí-Mirim a montante. A trilha cruza áreas com predomino da restinga, tanto arbórea como arbustiva em locais mais abertos, intercalada por florestas ripárias e trechos paludosos. Ótima para caminhadas tanto pela manhã como no fim de tarde, explorando ao máximo os ambientes em busca das diferentes aves que podem ocorrer.

Trilha Apecatu – Uma ramificação que sai de dentro da trilha Sambaqui, afastando-se dos locais com predomínio da restinga e adentrando-se em matas mais altas e fechadas. Também é muito boa para observação das aves pela manhã.

Rio Saí-Mirim
(Foto: Iumaã Bacca)

Rio Saí-Mirim* – Através da canoagem, o rio Saí-Mirim torna-se uma opção a mais para os observadores mais dispostos, podendo desfrutar de sua bela paisagem pelas águas escuras e límpidas em meio às margens conservadas com matas ripárias. Recomendado para observação das aves de hábitos aquáticos que habitam as margens do rio.

As Aves da Volta Velha – espécies alvos

Relatamos aqui uma pequena lista com as espécies endêmicas, ameaçadas, raras e pouco comuns assim como as mais procuradas por todos observadores de aves que visitam a Reserva Volta Velha. (Classificação de ameaça conforme utilizado na obra de Sick, 1997. - Cr = Criticamente ameaçado, Am = ameaçado, Vu = vulnerável, Ra = tornando-se rara):

Quero-quero
(Foto: Beto Vieira)
Garça-Azul
(Foto: Beto Vieira)
Anú Branco
(Foto: Beto Vieira)

Tinamus solitarius (Macuco – Solitary Tinamou) Ra Tinamidae ameaçado principalmente devido à caça ilegal, já se tornou extinta em muitas localidades. Com sorte e paciência pode ser observada com maiores chances na Trilha Sambaqui.

Crypturellus noctivagus noctivagus (Jaó-do-sul – Yellow-legged Tinamou)Ra - Endêmico Outro Tinamidae bastante ameaçado pela caça ilegal e restrito as florestas litorâneas e da serra do mar no sul e sudeste do Brasil. Melhores chances de observação na Trilha Sambaqui e Apecatu. Pode ser escutada com freqüência em pequenos grupos pela manhã e fim de tarde.

Leucopternis lacernulatus (Gavião-pombo – White-necked Hawk) – Vu – Endêmico Um dos endemismos mais notáveis da família Accipitridae na Floresta Atlântica do sul e sudeste do Brasil. Pode ser visto sobrevoando a floresta nas horas mais quentes do dia. Próximo a Volta Velha existe um local onde um provável casal da espécie tem sido visto com freqüência.

Ortailis squamata (Aracuã-escamoso – Scaled Chachalaca)Endêmico Cracidae cujas populações vêm diminuindo muito devido a caça, correndo sérios riscos de se tornar ameaçada. Pode ser observada de perto a poucos metros do chão, alimentando-se em bordas de floresta e restingas.

Brotogeris tirica (Perequito-rico – Plain Perakeet) – Endêmico Talvez o periquito mais comum na Reserva Volta Velha. Pode ser observado em bandos barulhentos tanto em locais abertos como na floresta.

Touit melanonota (Apuim-de-cauda-vermelha – Brown-becked Parrotlet)Am –Endêmico Psittacidae endêmico da Floresta Atlântica que na maioria das vezes prefere habitar as matas da serra do mar. Já foi registrado ocasionalmente na reserva e região em pequenos bandos. Ave bastante rara e muito difícil de observar. Com muita sorte é possível ver os pequenos bandos voando rápido cruzando áreas abertas entre as matas.

Amazona brasiliensis (Papagaio-de-cara-roxa – Red-tailed Parrot) Am – Endêmico Outro Psittacidae endêmico da Floresta Atlântica, porém restrito às florestas litorâneas presente no sul do Estado de São Paulo, Paraná, e norte de Santa Catarina. A região da Volta Velha é o limite sul de sua distribuição geográfica, ocorrendo poucos indivíduos no local. Rara na reserva e de difícil observação.

Triclaria malachitacea (Sabiá-cica – Blue-bellied Parrot) Am Espécie meridional singular da família Psittacidae, quase endêmica. Como um papagaio, porém de cauda relativamente longa e larga. Ameaçada principalmente pela perda de habitat. Incomum e bastante difícil de ser observada. Prefere as matas altas e fechadas onde se camufla perfeitamente com o verde das folhas. Com chances de observação na Trilha Sambaqui.

Ramphodon naevius (Foto: Iumaã Bacca)

Ramphodon naevius (Beija-flor-grande-do-mato – Saw-billed Hermit) - Endêmico

Phaetornis squalidus (Rabo-branco-miúdo – Dusky-throated Hermit) - Endêmico

Aphantochroa cirrhochloris (Beija-flor-cinza – Sombre Hummingbird)Endêmico

Três espécies endêmicas de beija-flores (Trochilidae) do Brasil, as duas primeiras exclusivas da Floresta Atlântica da região sul e sudeste. Podem ser encontradas em todas as trilhas da reserva.

Malacoptila striata (João-barbudo – Crescent-chested Puffbird)Endêmico Bucconidae que corre riscos de ameaça principalmente com a perda de habitat. Graças ao seu traje críptico e à sua relativa imobilidade consegue escapar da vista até do observador mais experiente. Poucas chances de observação em todas as trilhas.

Dryocopus galeatus (Pica-pau-de-cara-amarela – Helmeted Woodpecker) Cr O pica-pau (Picidae) mais ameaçado do Brasil meridional. Possui pouquíssimos registros recentes. Comunicações pessoais entre observadores relatam que a espécie já foi observada na Volta Velha. Muita rara e com pouquíssima chance de observação.

Campephilus robustus (Pica-pau-rei – Robust Woodpecker) Espécie incomum que já esteve anteriormente presente na lista das espécies ameaçadas. É o maior pica-pau do Brasil. Poucas chances de observar em todas as trilhas.

Scytalopus indigoticus (Macuquinho – White-breasted Tapaculo)Endêmico Rhinocryptidae endêmico da mata Atlântica do sul e sudeste do Brasil. Habita o interior da mata próximo a córregos e áreas úmidas. Grandes chances de observação em todas as trilhas.

Myrmotherula unicolor (Choquinha-cinzenta – Unicolored Antwren)Vu – Endêmico Thamnophilidae endêmico da Floresta Atlântica do sul e sudeste do Brasil, ameaçado principalmente com a perda de habitat. Grandes chances de observação em todas as trilhas.

Drymophila squamata (Pintadinho – Scaled Antbird)Endêmico

Drymophila ferruginea (Trovoada – Ferruginous Antbird)Endêmico

Myrmeciza squamosa (Papa-formigas-de-grota – White-bibbed Antbird)Endêmico

Três Thamnophilidae endêmicos da Floresta Atlântica e que são muito procurados pelos observadores de aves. Podem ser vistos com freqüência em todas as trilhas.

Stymphalornis acutirostris - macho e fêmea
(Foto: Eduardo Patrial)

Stymphalornis acutirostris (Bicudinho-do-bréjo – Marsh Antbird)AmEndêmico O mais importante endemismo da família Thamnophilidae na região. Espécie que também vem sofrendo ameaça com a perda de seu habitat exclusivo: banhados da região sul do litoral do Paraná e do extremo norte de Santa Catarina. Uma das primeiras entre as espécies mais procuradas pelos observadores de aves. Pode ser observada em vegetação de banhado em uma pequena parte da reserva.

Conopophaga melanops (Cuspidor-demáscara-preta – Black-cheeked Gnateater)Endêmico Conopophagidae que vive na mata fechada a pouca altura do chão. Incomum na Reserva Volta Velha, com poucas chances de observação em todas as trilhas.

Cichlocolaptes leucophrus (Trepador-sombrancelha – Pale-browed Treehunter)Endêmico Furnariidae endêmico da floresta Atlântica e raro em Santa Catarina. Arborícola, vive na mata alta e procura insetos nas folhas secas das bromélias epífitas. Incomum na reserva pode ser observada na Trilha Casa de vidro e Trilha Apecatu.

Phylloscartes kronei (Maria-da-restinga – Restinga Tyrannulet)VuEndêmico Tyrannidae de notável endemismo, restrito a Floresta de Terras Baixas e restingas entre o litoral sul de São Paulo e nordeste de Santa Catarina. Ameaçada pela perda de habitat. Também é uma das mais procuradas pelos observadores. Abundante na reserva e fácil de observar em todas as trilhas.

Hemitriccus kaempferi (Foto: Eduardo Patrial)

Hemitriccus kaempferi (Maria-Catarinense – Kaempfer’s Tody-tyrant)Am – Endêmico O Tyrannidae e a ave de mais notável endemismo na região, restrito as florestas litorâneas do nordeste de Santa Catarina. Conhecida apenas de algumas localidades e com poucas observações na década passada, a espécie pode ser relativamente fácil de observar na Reserva Volta Velha e entorno. É a ave mais importante e procurada pelos observadores, e que também garante a fama da reserva como o melhor local para observá-la. Grandes chances na entrada da Trilha Casa de vidro e no trecho de restinga onde se tem a vista do rio Saí-Mirim na Trilha Sambaqui.

Hemithraupis ruficapilla (Saíra-da-mata – Rufous-headed Tanager)Endêmico Tharupidae endêmico do litoral sudeste e sul do Brasil. Pode ser visto com freqüência em bandos mistos de aves. Chances de observação em todas as trilhas.

Orthogonys chloricterus (Catirumbava – Olive-green Tanager)Endêmico Thraupidae endêmico da serra do Mar e litoral sudeste e parte do sul do Brasil. Relativamente comum e freqüente em grandes grupos de indivíduos nas florestas e bordas. Chances de observação em todas as trilhas.

Tangara peruviana (Saíra-sapucaia – Black-backed Tanager)Endêmico Tharupidae meridional peculiar, restrito ao litoral sul e sudeste do Brasil. Habita a densa vegetação xerófita (restingas). É a saíra mais procurada pelos observadores. Relativamente comum, pode ser mais fácil observada nas restingas da Trilha Sambaqui.

Ramphocelus bresilius (Tié-sangue – Brazilian Tanager)Endêmico Thraupidae endêmico da Floresta Atlântica. Uma das mais espetaculares aves do mundo. Habita a capoeira baixa e restingas. Pode ser observada na reserva em locais abertos em bordas da mata ou em restingas. Grandes chances de observação na Trilha Sambaqui.

Patinho-gigante (Platyrinchus leucoryphus) - Espécie relativamente rara e muito procurada pelos observadores de aves.

Guia de observação de aves

Para um melhor atendimento e satisfação dos clientes que buscam como prioridade a observação de aves, a Reserva Volta Velha agora oferece seu próprio serviço de guia exclusivo e especializado para a atividade. Com vasto conhecimento sobre avifauna presente na reserva e em toda a região, o guia facilita a observação de muitas aves através de sua experiência na identificação das espécies e de como encontrá-las nas trilhas e nos diferentes ambientes, além de contar com equipamentos (arquivo sonoro e gravador) que facilitam a visualização de muitas espécies de hábitos inconspícuos, sendo a maioria dessas a grande atração para os observadores.

*Para uma visita ou estadia mais proveitosa, recomendamos para que os visitantes interessados na observação das aves solicitem os serviços do guia com antecedência.

O guia – Eduardo W. Patrial (06/02/1982)

 

Coruja Buraqueira
(Foto: Beto Vieira)
Guaxe
(Foto: Beto Vieira)

Natural de Londrina, PR, seu interesse pela fauna despertou ainda quando criança durante passeios turísticos pelo pantanal sul-matogrossense e Amazonas. Aos 19 anos optou pela Biologia como carreira e forma de exercer seus pensamentos conservacionistas. No inicio de 2002 mergulhou definitivamente com os estudos das aves, onde começou ir para campo com ornitólogos experientes em trabalhos de levantamento de espécies, com observação, captura e marcação das aves no litoral do Paraná. Também em 2002 e 2003, ainda como estagiário, responsabilizou-se pela organização e revisão da coleção ornitológica do Museu de História Natural Capão da Imbuia em Curitiba sob a orientação do ornitólogo Pedro Scherer Neto. A partir daí surgiram novas oportunidades de pesquisas, principalmente na mata Atlântica, onde em Itapoá, SC ainda em 2002 iniciou seu estudo de levantamento das aves.

Freqüentador assíduo da região e do balneário desde os anos 80, esforçou-se ao máximo nesta investigação da avifauna, registrando um grande número de espécies, muitas delas raras e ameaçadas.

Ainda com o apoio de Pedro Scherer Neto e outros pesquisadores, pôde contribuir com pesquisas ornitológicas em diferentes regiões do Brasil como no Pantanal (MT), Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Espírito Santo, além de varias localidades do Paraná, obtendo assim um bom conhecimento sobre a avifauna de grande parte do Brasil. No fim de 2004 formou-se em Biologia pela PUC-PR. Em 2005 aventurou-se pela região Norte já como profissional, onde em Carajás, PA realizou trabalhos de levantamento e diagnóstico da avifauna pelo Instituto Ambiental Vale do Rio Doce (Companhia Vale do Rio Doce), expandido ainda mais seus conhecimentos sobre as aves Brasileiras. Ainda em 2005 pôde ampliar seu conhecimento em visitas na mata atlântica e caatinga de algumas localidades do Nordeste. Somente em 2006 é que iniciou paralelamente suas atividades como guia de observação de aves profissional, após passar um mês como guia voluntário em famoso lodge amazônico para observadores de aves (Alta Floresta, MT). A partir daí veio especializando-se em guiar grupos de observadores de aves especialmente na região Sul e parte do Sudeste, nas localidades mais importantes do ponto de vista ornitológico, como a Reserva Volta Velha, por exemplo. Atualmente vem liderando grupos de observadores de aves por todo o Sul do país além de localidades importantes nos estados de Minas Gerais e São Paulo, sendo um dos pouquíssimos guias disponível no sul do Brasil para a atividade.

Bibliografia Consultada

Sick, H. Ornitologia Brasileira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

Rosário, L. A. do As aves em Santa Catarina: distribuição e geográfica e meio ambiente. Florianópolis: FATMA, 1996.

 

Download:

Lista de Aves da RPPN Volta Velha - pelo ornitólogo Celso Seger e atualizada pelo ornitólogo Arthur Macarrão com ajuda de Edson Endrigo (2010)
(60,5 KB)

Lista de Aves da RPPN Volta Velha - Por Eduardo W. Patrial (2003 - 2006)
(49 KB)

 
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