Aves em extinção atraem turistas internacionais para Reserva em Itapoá
Por: Izabel Santos - izabel.jornalista@gmail.com
Um pequeno pássaro com cerca de 10 centímetros de comprimento, ameaçado de extinção, está atraindo Observadores de Aves do mundo inteiro para Itapoá, litoral norte do Estado.
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| Alan Greensmith |
O ornitólogo inglês, Alan Greensmith, é um exemplo destes turistas que está há cinco dias na Reserva Volta Velha, com bínóculo em punho, especificamente, para ver a Maria Catarinense (Hemitriccus kaempferi). A ave é uma das 160 espécies na lista de ameaçadas de extinção do Ministério do Meio Ambiente e faz parte também da "lista vermelha" da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
"Trata-se de uma espécie mundialmente procurada por Observadores de aves porque é rara, só encontrada na floresta atlântica dessa região", explica o diretor do Centro de Educação ao Ar Livre da Reserva Volta Velha, Juarez Michelotti. Greensmith passa o dia inteiro percorrendo trilhas ou navegando a bordo de um pequeno barco no rio Saí-Mirim, na expectativa de ver o pássaro nativo. Paciência é a palavra-chave nessa prática, algo que tem de sobra, afinal ele é um dos pioneiros na condução de grupos para observação de aves e já avistou mais de sete mil espécies diferentes em suas expedições ao redor do mundo. Seu desafio é tornar-se o número um no ranking mundial de Observadores de Aves. Atualmente ocupa a nona posição.
É a segunda vez que o inglês vem ao Brasil, mas é a primeira viagem dele à Santa Catarina e, assim como ele, há dez anos, centenas de turistas estrangeiros visitam a Reserva Volta Velha, que já se tornou popular entre observadores de aves internacionais. "Aqui é um dos principais locais de turismo para observação desses animais no sul do Brasil, mais conhecido pelo termo em inglês 'birdwatching', por isso recebe, em média, de 80 a 100 observadores anualmente, vindos principalmente de Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e Espanha", explica Michelotti. A prática dessa atividade ainda é incipiente no País, embora tenha grande potencial de desenvolvimento. O Brasil é o segundo país do mundo com maior diversidade de aves. Com 1.822 espécies, fica atrás somente da Colômbia (1.865 espécies).
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| Equipe da Reserva Volta Velha, com o ornitólogo |
A Reserva possui 1.100 hectares e está inserida em uma área remanescente da Floresta Atlântica. Segundo os especialistas, o local é apontado como um importante centro de ocorrência de espécies endêmicas. Por meio de estudos realizados com a avifauna na Reserva e outras localidades do seu entorno, já foram identificadas cerca de 300 espécies, sendo na sua maioria, nativas das florestas. A Maria Catarinense é uma das espécies que mais precisa de esforços de preservação no sul do País, uma vez que perdeu a maior parte de seu habitat natural por causa do desmatamento.
A Reserva Volta Velha em Itapoá (http://www.reservavoltavelha.com.br/), considerada pela União Internacional para Conservação da Natureza, como um "hot spot" para observação de aves, conta com hospedagem e alimentação no local. A infraestrutura, durante o ano, é utilizada pelo Centro de Educação ao Ar Livre da Reserva Volta Velha em programas vivenciais de Educação Ambiental, onde as aves são uma das atrações e ferramenta de ensino. A Reserva conta com a gestão da Associação de Defesa e Educação Ambiental (ADEA).
História e potencialidade
A observação de aves - ou birdwatching - surgiu como uma demonstração de intercâmbio entre a ciência e o público leigo (mais precisamente não-acadêmico) e se consolidou internacionalmente como uma atividade claramente definida nos últimos setenta anos.
A atividade de observação de aves acabou por influenciar a própria ciência ornitológica, com o advento dos "watchers ornithologists", que passaram a publicar, a partir dos anos 40, resultados de pesquisas declaradamente científicas calcadas, sobretudo, em observações. É uma das poucas áreas do conhecimento que ainda contam com a participação engajada e relevante de cientistas amadores.
A mola propulsora dessa atividade, porém, é o prazer lúdico proporcionado pela observação das aves livres e plenamente integradas ao seu ambiente natural. O desafio de encontrar, reconhecer cada uma delas e observar seu comportamento é o grande estímulo dos participantes.
Observar pássaros é um passatempo para milhões de pessoas em todo o mundo e muitas viajam grandes distâncias para observá-los, atraídas por belos cenários e pelo desafio de avistar e identificar as espécies de pássaros existentes.
O Brasil é o país de maior biodiversidade e o segundo colocado em número de espécies de aves em todo o mundo. Cerca de 1.800 espécies de aves existentes são nativas do Brasil. No entanto, quase não existem aqui mecanismos para explorar o ecoturismo, com seu inegável potencial de geração de recursos. Por falta de desenvolvimento do segmento no País, os turistas encantados com nossa rica e colorida avifauna são obrigados a buscar alternativas de lazer, quando poderiam gerar inúmeras frentes de trabalho, contribuindo ao mesmo tempo com o desenvolvimento econômico do País e a preservação da natureza.
Não existem números oficiais sobre a atividade no Brasil. Mas para ter uma idéia de seu potencial, nos Estados Unidos 46 milhões de habitantes são observadores de pássaros, dos quais cerca de 36 milhões são homewatchers. Esta atividade movimenta cerca de US$ 83 bilhões ao ano naquele país. Outros países onde a atividade de birdwatching é popular e tem importância econômica são Inglaterra, Alemanha, Suécia, França, Japão e Austrália.
Mais informações: Juarez Michellotti Diretor Centro de Educação ao Ar Livre/ Reserva Volta Velha Fone: (47) 9927-4579 Fone da Reserva: (47) 8854-4780 Ana Maria
Fonte: Reserva Volta Velha
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