Reserva em Itapoá oferece turismo e educação
Cerca de 500 alunos da rede pública de Itapoá participam de um programa de educação ao ar livre na Reserva Volta Velha, localizada a apenas 3 km da praia. O local também oferece passeios turísticos e é muito procurado por observadores de pássaros do mundo inteiro.
O projeto educacional do Ceal (Centro de Educação ao Ar Livre) "Acantonamentos” existe há quatro anos e tem apoio do governo estadual e recursos do Fundo de Incentivo ao Turismo (Funturismo). Os alunos ficam hospedados no local durante três dias e estudam na prática os conteúdos de ciências naturais ministrados na escola.
O projeto pedagógico do programa foi orientado pelo Glen Helen Outdoor Education Center, de Yellow Springs, Ohio, EUA e adaptado pelo Ceal ( em parceira com a Síntese (Centro de Estudos, Aperfeiçoamento e Desenvolvimento da Aprendizagem), de Curitiba.
De acordo com o Ceal, “o respeito pelo indivíduo e as relações interpessoais são a base dessa metodologia, que trabalha valores de vida em sociedade, cooperação e integração socioambiental.
As atividades são distribuídas em três dias e duas noites, tendo como ferramentas de ensino as seguintes trilhas temáticas:
• Acesso à cultura indígena, por meio do contato direto com as etnias Guarani e Waurá, a fim de conhecer as tradições, as danças, as histórias, os idiomas e os costumes desses povos;
• Exploração da Geologia, por meio do estudo das rochas e dos diferentes tipos de solo encontrados na planície costeira;
• Contato com o mundo dos animais silvestres, com o objetivo de observar suas principais características, conhecer seus hábitos e buscar vestígios para a identificação dos diferentes grupos;
• Pesquisa de comunidades florestais, para avaliar os ciclos e as dinâmicas das formações das planícies costeiras da Mata Atlântica;
• Estudo da meteorologia, por meio da coleta de dados do clima, da análise e da previsão do tempo;
• Realização de trilha noturna ou trilha dos sentidos, na qual se vivenciam os hábitos dos animais noturnos.
. Segundo o diretor do Centro de Educação ao Ar Livre (CEAL), Juarez Michelotti, o diferencial do programa é trabalhar simultaneamente valores para o convívio em sociedade, como cooperação, respeito e integração social. ?O projeto é uma extensão da escola, já que agregamos a educação ambiental à educação formal. Os valores repassados para as crianças na Reserva, por meio de vivências, transcendem o conteúdo escolar, pois é uma educação para a vida?, explica Michelotti
As ferramentas de ensino do programa são trilhas temáticas, a fauna e flora da floresta atlântica, rochas e solos da planície costeira, rios, sítios arqueológicos, estação meteorológica e até uma oca dos índios Waurás, do Xingu, utilizada para vivências da cultura desses povos. As atividades são conduzidas por um grupo de coordenadores e naturalistas além de um representante indígena. Todos capacitados em educação ao ar livre.
Período de funcionamento dos Programas do Volta Velha
Os programas do Volta Velha CEAL estão ligados ao currículo formal de ciências naturais e são desenvolvidos juntamente com o ano escolar, do mês de março ao mês de outubro, podendo ser realizados durante a semana (terça, quarta e quinta-feira) ou nos finais de semana (sexta-feira, sábado e domingo).
Estão inclusos:
* 6 refeições
* 2 pernoites na Reserva Volta Velha
* 2 coordenadores e 3 naturalistas capacitados para aplicação de atividades de educação ao ar livre
* 1 monitor indígena do parque nacional do Xingu para aplicar atividades de cultura indígena
* 1 enfermeira
* seguro de acidentes pessoais
Equipe desenvolvimento do Programa de Educação ao Ar Livre do Volta Velha CEAL:
Ailson Loper (eng. florestal), André Segura (turismólogo), Celso Seger (biólogo), Jackson Silva (eng. florestal), Janaína Bueno (professora de Educação Física), Karina Bazzo (acadêmica de eng. florestal), Juarez Michelotti (eng. florestal), Lucio Machado (biólogo), Yawaritsawa Trumai Waurá.
Observação de aves
Popular entre observadores de aves em todo o mundo, a RPPN Reserva Volta Velha vem sendo uma dos principais locais para a pratica do bird watching no sul do Brasil. A reserva possui 1.100 hectares e está inserida em uma extensa área remanescente da Floresta Atlântica, fazendo parte hoje de um dos últimos grandes remanescentes desse bioma, sem duvida um dos mais ameaçados em todo o país.
Do ponto de vista ornitológico, este pequeno pedaço do litoral sul é apontado como um importante centro de evolução para algumas espécies de aves que se fizeram endêmicas restritamente. Tal fato releva a importância da conservação de grandes áreas ainda cobertas pela Floresta Atlântica na região, cada vez mais visadas pelas comunidades científicas como prioritárias para a preservação através do estabelecimento de novas áreas protegidas, tanto particulares como públicas.
Segundo estudos realizados com a avifauna na reserva e em outras localidades no entorno, já foram identificadas aproximadamente 300 espécies de aves, sendo a maioria delas residentes nas florestas. A presença de aves migratórias e ocasionais enriquece o número de espécies no local, principalmente durante a primavera e o verão. A vegetação presente, também conhecida como Floresta Atlântica de Terras Baixas, mostra uma expressiva diversidade de ambientes, variando entre restingas litorâneas, florestas altas, paludosas e ripárias.
A floresta local também conta com a enorme variedade de plantas epífitas, onde as bromélias muitas vezes dominam grande parte do cenário proporcionando condições ideais para muitas espécies.
As trilhas para observação
A Volta Velha oferece três principais trilhas para caminhadas e observação das aves:
Trilha Casa de vidro – caminhada em terreno plano no interior de floresta primária, repleta de grandes árvores centenárias. A observação das aves pela manhã bem cedo é recomendada, pois a trilha cruza mata fechada em diferentes ambientes, entre estes, pequenos córregos e áreas paludosas. Grandes bandos mistos de aves são freqüentes pela manhã.
Trilha do Sambaqui – Talvez a melhor trilha para a observação de aves na reserva. Ela oferece caminhada longa em terreno plano seguindo paralelamente grande parte do caminho o rio Saí-Mirim a montante. A trilha cruza áreas com predomino da restinga, tanto arbórea como arbustiva em locais mais abertos, intercalada por florestas ripárias e trechos paludosos. Ótima para caminhadas tanto pela manhã como no fim de tarde, explorando ao máximo os ambientes em busca das diferentes aves que podem ocorrer.
Trilha Apecatu – Uma ramificação que sai de dentro da trilha Sambaqui, afastando-se dos locais com predomínio da restinga e adentrando-se em matas mais altas e fechadas. Também é muito boa para observação das aves pela manhã.
Rio Saí-Mirim – Através da canoagem, o rio Saí-Mirim torna-se uma opção a mais para os observadores mais dispostos, podendo desfrutar de sua bela paisagem pelas águas escuras e límpidas em meio às margens conservadas com matas ripárias. Recomendado para observação das aves de hábitos aquáticos que habitam as margens do rio.
Informações:
contato@reservavoltavelha.com.br
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(47) 8854-4780
Fonte: Correio do Litoral
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