Simples é a cor, simples o amor

Fica na janela e vê as pessoas trocando conversa de olho no olho, coisas que preenche o tempo de alegria.
Cruza a multidão e tem a sensação de poder amplificado no barulho, na dinâmica dos diferentes, nos sóbrios achados.
Se esforça para juntar os comuns e repelir os opostos.
Se une às rotinas produtivas para justificar os ganhos e os gastos, numa máquina de débito e crédito sem fim.
Parece que tudo é uma normalidade etérea, sincopada e avulsa.

Assim era a vida antes da sombra19.
Agora o grande bônus da vida da metrópole se restringe ao isolamento, com medo do próximo dia.
Quem sabe temos chance de repensar o mundo das casas espaçadas, dos jardins, dos bosques com frutas.
Da troca entre vizinhos, dos mutirões.
Do saber fazer as coisas com as próprias mãos, mesmo com simplicidade.
Da oração, do respeito pelas habilidades do campo.
Da apreciação da lua, do som das aves e do vento.

Deixamos de nos conectar com o universo pensando que isso era um movimento moderno e construtivo, mas vamos acabar pagando um preço enorme para retomar os sentidos.
Lutamos sempre para reequilibrar os efeitos das nossas próprias invenções.

Sabemos porém, que no fundo, simples é a cor, simples é o amor.